Exercício só no final de semana: pode?

Maratona NY 016

Foto: Guto Gonçalves / Estúdio13 / Instagram @estudio13

Se você fosse seguir ao pé da letra as recomendações da American College of Sports Medicine (ACSM), para preservar a saúde precisaria praticar pelo menos 30 minutos de atividade física moderada, cinco vezes por semana. Além disso, para minimizar riscos de lesões em músculos e articulações, seria necessário incluir na rotina exercícios localizados e de alongamento, duas vezes por semana. Você não tem esse tempo todo? Calma. Confira o que funciona e o que não funciona sobre os exercícios aos sábados e domingos. continue lendo

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… fiz um teste de postura na corrida …

IMG_3641Na última quinta-feira fiz um teste de postura na corrida muito legal. Trata-se do F.O.R.M. (Form Optimizer of Running Methodology by Mizuno). Vem ver sobre o que se trata… continue lendo

… é estar entre o mágico e o trágico (Curitiba)…

MaratonablogAmigos mais experientes já me disseram que a gente só entende o que é correr uma maratona depois da quinta. Eu estou na metade desse caminho. E vou continuar até entender e dominar a distância.

No dia 22 de novembro de 2009, corri minha terceira maratona, desta vez em Curitiba (PR) – as outras foram Porto Alegre (em 4h04m, em maio/2008) e Nova York (em 4h20m, em novembro/2008).

Razoavelmente treinada e segura – principalmente depois de ter participado do Desafio dos 600K SP>RJ da Nike no mês anterior – cheguei à prova bastante tranquila e motivada. Talvez tenha minimizado um pouco as dificuldades do percurso, é verdade. Muitas pessoas haviam me falado o quanto era duro, mas achei que daria conta. E tinha em mente o tempo que eu queria fazer – pelo menos igual a Nova York.

Um motivo a mais de felicidade foi levar meu filho, de 8 anos. Durante a prova ele ficou com uma amiga de Curitiba, a Giovanna, que criou uma estratégia para me ver passar ao longo do percurso. Adorei a ideia.

Para criar um relato diferente, por sugestão de um amigo, levei um pequeno gravador e registrei as impressões e emoções da prova. Aqui vou reproduzir um pouco do que se passou na minha cabeça e o que aconteceu com meu corpo. As dores e as delícias da minha Maratona de Curitiba, a prova que me fez estar entre o mágico e o trágico.

5H30 DA MANHÃ
Já estou de pé, estou me arrumando. Consultei o ClimaTempo e vi que pode fazer 29 graus, com 80% de umidade. Isso me preocupou um pouco mais, porque ontem estava super fresco e hoje é uma incógnita. Acordei bem, mas um pouco mais preocupada do que os outros dias, afinal chegou a hora.

Daqui a pouco vou descer e tomar café da manhã, a largada é às 7h30. Não sei se eu senti um pouco minha garganta, se isso é desculpa para se eu não for bem… Mas, enfim, estou aqui para minha terceira maratona, com o coração na mão.

5H50 DA MANHÃ
Acordei o Antônio agora. Ele foi meio que reclamando, mas já entrou no banho.  É sempre uma preocupação a mais trazer uma criança, mas eu queria muito que estivesse comigo. E ele está aqui, colabora. Sei que essa é uma hora em que eu devia estar mais concentrada para a prova… Mas daqui a pouco vou trocá-lo e vamos descer para o café da manhã.

7H29 DA MANHÃ
Estou aqui na largada, com a mão gelada. Um minuto para a largada, batimento cardíaco em 108. Feliz. Vou ver se eu chego… Ver se chego, não. Eu vou chegar. Mas quero dentro do tempo que eu me propus a chegar. Foi dada a largada. Vambora…

OS DOIS PRIMEIROS QUILÔMETROS
A prova tem mais gente do que em Porto Alegre, é mais movimentada… O sol está saindo. Passei pelo quilômetro 2 com pace de 5m30s/km (a orientação do treinador era fazer os primeiros quilômetros a 6m20s). Estou rápido demais. Vou tentar reduzir para chegar bem.

(conversando com outra corredora)

– De onde você é?

– Eu sou de Araucária, região metropolitana de Curitiba.

– Como é seu nome?

– Angelita.

– Quantos anos você tem?

– 41. E você?

– Meu nome é Yara, tenho 43. Você corre há quanto tempo?

– 13 anos. Essa é minha segunda maratona. A primeira foi aqui também em Curitiba, que eu completei em 3h50m.

– Uau! E agora, pretende fazer em quanto?

– Ah… Quero baixar o meu tempo.

– Tem alguma estratégia durante a prova?

– Eu gosto de fazer amizade, ir trocando ideias. Assim a gente não vê o tempo passar. Também penso em coisas que me dão alegria e força. Procuro pensar em minha mãe e em minha filha, de seis anos.

– Olha lá, já vem outra subida. Já deixamos para trás quase 4 quilômetros…

DO 6º ao 10º QUILÔMETRO
Daqui a pouco nós vamos passar de novo perto da largada. Estamos quase no quilômetro 7, fazendo um ritmo de 6m/km. Acho que ainda estou um pouco forte. Vou tentar diminuir. E por enquanto tudo tranquilo.

São 8h05 da manhã, termômetros marcando 22 graus, sol.

A gente acabou de passar por uma cadeirante, Angelina. Cara, é muito difícil. Essa é de tirar o chapéu. Para aguentar as subidas e descidas dessa prova.

Estamos no quilômetro 7, ansiedade ainda. Daqui a pouco vou tentar encaixar o ritmo e ir embora até o final. Agora me passou pela cabeça que eu continuo lutando contra minha natureza. Eu não tenho perfil de corredora. Eu tenho quadril largo, eu sei que isso dificulta.

Antônio!!! Olha a mamãe aqui! Lindo! (nessa hora fiquei babando pelo meu filho, conversando ainda com a Angelita, a corredora de Araucária)

Estamos quase nos 10 quilômetros. Devo fechar os 10K com 58 minutos. Está super bom.

Passei nos 10 quilômetros com um pouquinho menos do que 59 minutos. Estou precisando de água, para tomar meu primeiro gel, antes que a fome aperte.

CHEGANDO AO QUILÔMETRO 14
Minha amiga de Araucária apertou o passo e foi… Não vou dizer que meu joelho não está doendo, porque está doendo. Tá pegando o joelho, começou a dar pontada na panturrilha e um pouco do quadril esquerdo. Mas vou continuar. Vou tomar o ibuprofeno lá na frente e seja o que Deus quiser: 13 quilômetros e 900 metros, quase 14, 1h23m de prova.

ATÉ O QUILÔMETRO 19… E AS PRIMEIRAS DORES MAIS FORTES
Estou vendo minha amiga de Araucária. Mas eu não vou puxar para pegar ela, não. Vou ficar na minha. Os homens estão passando. Logo encontro os amigos. Tenho que estar muito concentrada agora. Vou aumentar o passo daqui a pouco.

Foi meu pior quilômetro até agora, pace de 6m23s. Estou fazendo essa média nos últimos. Mas na média geral ainda estou dentro dos 6min/km. No meu relógio acabou de marcar 15km, 1h30m certinho.

Se eu fosse elite e a TV tivesse transmitindo, o locutor diria assim: “Lá vem a Yara, mas com visíveis sinais de cansaço. Será que ela vai segurar?” Daqui a pouco vou tomar o remedinho para ver se passa esse desconforto do quadril. Quando a gente está correndo vêm esses delírios na cabeça, de que você é elite. Mas a cobrança é sua mesmo.

Dei uma baixada agora. Cansei. Vou andar só um pouquinho, para me recuperar. Não vou parar. Só dois minutinhos. Vou andar um pouco e puxar depois. É muito cedo para querer andar.

– Vamos lá, fôlego, respira. Você vai conseguir! Fé em Deus, acredita em você – alguém gritou.

O cara me deu uma força, agora eu vou continuar!

– Yara! E aí, tudo bem? 

– Oi Luis. A gente se vê no final. Valeu!

Passou o Luis agora, meu amigo de São Paulo. Ele pegou na minha mão. Isso me deu a maior força. Era o que eu precisava. Impressionante como a gente precisa dessas coisas. Estou louca para ver o Antônio também. É de apoio que eu preciso. Fiquei arrepiada de pensar nisso. Fechei esse trecho em 6m37s: 17 quilômetros já completados.

Não dá para ficar pensando em quanto falta ou quanto já foi. Eu tenho que pensar em continuar a correr, correr. Melhorei um pouco nesse quilômetro, 6m10s. Está bom demais. Recuperei um pouquinho. Doem um pouco as costas, o baço. E lá vou eu.

Meu quadril ainda dói, como se tivesse em uma prensa. Daqui a pouco vou ver o que fazer: tomar gel, comer alguma coisa.

Estava me sentindo mais magra. Mas agora já voltei a me sentir gorda de novo. O passo fica curto e voltei a me sentir gordinha de novo. 

PASSOS LENTOS, QUASE NA MEIA MARATONA
Estou no quilômetro 19 para o 20, é uma subidinha. Eu estou andando um pouco… Ah, parei, vai! Chega de me cobrar. Vou andar um pouquinho para me recuperar. Eu sei que eu posso. Estava indo super bem. Vou dar esse descanso e no 20 vou firmar, para ir até o fim. É claro que eu tenho um pouco de vergonha de falar que estou andando, mas vou andar. Quando chegar ali, naquele poste, vou voltar a correr para não parar mais, até o final.

Chegou o poste que me impus como limite, vou voltar a correr.

Oi, lindo! Mamãe está cansada… (encontrei outra vez o Antônio perto do km 21).

É muito sobe e desce. A tentação de andar é muito grande. A cabeça fica pedindo toda hora para andar. Estava indo bem, agora não sei não. Tentando pensar no treinamento, na prova da Nike, mas está difícil.

– Vamos lá garota! – gritou uma moça.

A PARTIR DO QUILÔMETRO 22, FAZENDO CONTAS
Se eu quiser terminar essa prova em menos de 4h20m, tenho que correr agora. Tenho duas horas para terminar essa maratona. Faltam 20 quilômetros. Mais da metade já foi. Não estou cansada, mas minha perna está meio travada. Sei lá o que está acontecendo. Mas acho que é mais minha cabeça que está travada. As pessoas devem estar olhando com dó para mim, porque estou andando. Ou será que eu é que estou com dó de mim? Não. Eu estou curtindo, embora esteja com dor nas pernas, andando… Vou andar só até ali e depois volto a correr. Eu juro: agora, a partir do quilômetro 22, vou correr até o fim. Eu tenho de correr. Só faltam 20. E 20 dá para tirar de letra.

Mais uma vez caminhando. Está fogo. Minhas mãos estão formigando, meus lábios também, estou esgotada (minha voz é desoladora nesse momento). Tenho que tirar forças de algum lugar, sabe-se lá de onde. Tenho de completar em menos de 4h20m. Tenho de reagir.

(quinze minutos depois) Queria correr, mas não consigo. Está meio desesperador olhar o relógio, ver o tempo passando e você não evoluindo. Meu ritmo médio de prova até aqui é de 6m21s/km, é o que o treinador planejou, mas ainda faltam 16 quilômetros. Eu tenho de encontrar forças. Tenho vontade de chorar de desespero, de decepção. Eu coloco na cabeça uma coisa que eu não vou poder cumprir.

Eu não sei se dói tudo ou se eu não estou sentindo mais nada. Sei que estou cansada. 3h04m de prova, 28400 metros percorridos. Se fosse dar tudo muito certo, eu tinha de terminar em… Não sei se eu vou conseguir correr mais.

NO QUILÔMETRO 30, UMA PEQUENA REAÇÃO
(Fiz o quilômetro 30 em 6m02s e depois voltei a andar). Estou tentando me motivar, pensar que minha vida depende desses 11,5 quilômetros finais, mas está fogo. 3h20m de prova e eu estou muito cansada. Nem sei se é cansaço, as pernas estão pegando, senti câimbra… As pessoas falam que eu sou forte, mas eu não sou tão forte assim. Quero ver se eu consigo, vamos lá.

É mais subida e descida do que a gente pensa. Nunca andei tanto. Nunca vi tanta gente andando. Parece até a caminhada. Estou no quilômetro 32, com 3h33m. Na melhor das hipóteses, na maior das minhas ilusões, dos meus sonhos, eu terminaria em 4h33m. Mas acho que nem vai rolar, porque fazer a 6min/km daqui até o final vai ser difícil.

A gente só vê gente andando. Pensei agora como é que vai ser trabalhar amanhã. Estou quebrada, muito dolorida. A hora que esfriar, não quero nem ver. Dói pé, dói joelho principalmente, dói coxa, dói quadril, doem costas. E estou sentindo fome.

O sol foi embora, está um ventinho. O termômetro está marcando 31 graus ali.

(fiz o km 34 andando, em inacreditáveis 11m25s) Faltam 8 quilômetros para terminar e acho que isso foi a coisa mais difícil que eu já fiz na minha vida. Essa maratona foi difícil.

UM POUCO DE CONVERSA NA ALTURA DO QUILÔMETRO 35
(ouvindo a conversa de um corredor fazendo sua estreia em maratonas, com os amigos que davam apoio)

– Vamos lá, Marcão: 500 metros andando, 500 metroscorrendo.

– Eu juro que estou tentando fazer força – disse o ofegante Marcão.

– Yara, acho que você vai ter que ir com o Marcão até o fim.

(Eles foram, eu fiquei).

(agora conversando com um curitibano, sentindo o vento forte e percebendo a tempestade que começava a se formar, quilômetro 36)

– Vem chuva por aí.

– E não é das fracas – sentenciou ele.

– Queria estar terminando agora, com 4h17m. Fiz o que pude – disse bastante desanimada.

(Esse trecho foi bom, a conversa distraiu: falamos do clima, dos 600K, de outras maratonas. Desta vez fui eu quem acelerou, com medo da chuva).

VEIO CHUVA, MUITA CHUVA
(água de todos os lados, quase não dava para enxergar. Fiquei um bom tempo só me preocupando onde pisar, mas também curtindo aquela sensação boa de correr em plena tempestade. Voltei à realidade quando ouvi alguém dizer“Vamos pessoal, falta pouco. Agora só 3 quilômetros”)

3 quilômetros, uma volta no lago do Ibirapuera. Eu consigo.

A RETA FINAL
(me agarrei à força de alguém que estava nas mesmas condições que as minhas. No último quilômetro troquei mais algumas palavras com outro corredor curitibano, desesperada para ver o pórtico de chegada. Faltando uns 200 metros, graças a uma logística perfeita da minha amiga Giovanna, vejo o Antônio, meu filho, que vem de mãos dadas comigo).

– Antônio!!! Desculpa, a mamãe não conseguiu fazer o tempo que eu falei para você que ia fazer. Foi muito difícil. Doeu o joelho. Mamãe correu 42 mil metros em quase cinco horas!

– O pai do meu amigo fez em 3h45m.

– Muito bom!

– Quanto você fez?

– Agora estou com 4h57m.

(cruzamos a linha de chegada, pegamos a medalha, recebemos os parabéns e continuamos a conversar)

–  Onde está doendo, mãe? Eu não vi você no quilômetro 30, achei estranho. Todo mundo conhecido já tinha chegado, menos você…

– É que foi muito difícil para a mamãe, filho.

– Mas você não desistiu. Por que você não desistiu?

– Ah, filho, nem passou pela cabeça desistir.

– Onde você estava com 4h09m? (esse era o tempo que eu pretendia fazer e que falei para o Antônio)

– Com 4h12 de prova eu estava no quilômetro 36.

– A Giovanna disse que viu muita gente parada ali.

– Pois é, tinha muita gente andando, nunca vi tanta gente andando.

– Eu também. Acho que você completaria em quarto, em terceiro ou segundo se fosse uma Meia. De 10K podia ser a primeira.

– Já imaginou o que é a Comrades? O dobro disso aqui…

– Quanto é a Comrades, mesmo? 84K? Seu amigo já fez três vezes, né?

– Na Comrades são 89 km.

– Pelo menos você não foi a última, ainda tem muita gente chegando. Tem milhões de pessoas correndo aqui.

(mais adiante, registrando no gravador as impressões finais…)

Eu sei que acabou! Acabou a Maratona. Estou aqui com o Antônio, estou muito dolorida. Está doendo tudo, especialmente o joelho. Estou um pouco decepcionada com meu resultado.

(risadas do Antônio interrompendo)

– Ela tá feliz!

– Estou feliz porque completei pelo menos.

– Ela não está triste, não!

E essa foi a saga da Maratona de Curitiba. Levei algum tempo para escrever por falta de tempo – ou quem sabe receio de reviver a experiência. Vi o quanto sofri (minha voz em vários pontos é mesmo de sofrimento), mas vi também o quanto me deliciei, principalmente com esse momento final, com meu filho. Essas emoções ficam marcadas na vida da gente para sempre. Imagine ele daqui alguns anos lembrando que, aos 8 anos, esteve com a mãe na reta final de uma maratona, dizendo palavras do mais puro incentivo, sem saber formalmente o que é isso. Ah… É uma experiência incrível.

A maratona cobrou sua conta. Estou com uma pequena lesão (uma tendinite de quadríceps), mas já sonho com as próximas. Cada uma é cada uma.

… faltam 34 dias para minha segunda Maratona, NY!!!

NyEstá muito perto. Os próximos 30 dias vão voar. É hora de fazer a lista das coisas importantes, afinar os treinos… E eu já me sinto de TPM – Tensão Pré-Maratona.  

Falei que ia fazer 30 km na semana passada, mas não fiz. Havia chegado tarde de viagem na sexta – e vinha de semanas de trabalho intenso. Cheguei a ir ao treino, mas meu treinador viu o quanto eu estava cansada. Acabei fazendo apenas 12 km.

Essa semana, a vida voltou “ao normal”. Pude retomar meus treinos à noite, com minha equipe, e vi o quanto estava me fazendo falta. Agora é foco total em NY! 

Ontem, finalmente, fui encarar meu longão. E nada como fazer um treino de 30 Km para dar confiança. Na verdade foi de 31 km e uns metros a mais. 

A primeira volta na USP era para ser de 12 km. Mas errei uma parte do caminho, o que resultou em quase 1 km a menos. De qualquer forma, fui bem, fechando na prevista 1h05m. 

A segunda volta, já incluído o trecho que eu havia cortado antes, portanto com 12 km (totalizando 23 km), fechei com 2h19m. 

Com a terceira, de 8 km, concluí o treino em 3h12m. 

Fiz em pouco mais de 6 minutos por quilômetro, o que está bom para mim e é o que eu pretendo manter na Maratona.

O melhor é que conclui o percurso bem, inteira. E fiquei bem a tarde toda.

Quando falei para meu filho, o Antônio, de 7 anos, que iria correr 30 km, ele perguntou se eu ia ganhar medalha. Respondi que não, que era só treino. E ele disse: “Mas merecia!”

Olha, acho mesmo que a gente merece medalha depois de um treino desses. Nos últimos quilômetros desse treinamento de sábado, eu pensava: o ser humano corre numa boa, 20, 21, 25 km, depois disso é superação. A partir do km 30, o corpo começa a doer, mostrando que tudo tem limite. Mas a gente desafia esses limites e corre mais 12.  

See you at the finish line!!!

haileE depois do treino de ontem, no qual minha panturrilha se comportou muito bem, sem sinal de dor, a notícia que acabo de ler me deixa mais confiante ainda.

O etíope Haile Gebrselasie, de 35 anos, repetiu o que fez há um ano em Berlim e, novamente, quebrou o recorde mundial da maratona ao vencer a prova na capital alemã neste domingo. Ele melhorou o seu próprio tempo e conseguiu correr os mais de 42 km em 2h03min59s.

No Portão de Brandemburgo, o maratonista cruzou a linha de chegada sob aplausos do público e ainda comentou que uma contusão quase o atrapalhou para chegar à nova marca. “Eu tinha um pequeno problema no músculo da minha panturrilha e parei de treinar por uma semana. Só retornei na semana passada. Então hoje vim aqui com algumas dúvidas na cabeça. Mas foi tudo ótimo”, explicou.

Guardadas as devidas proporções, espero que também seja tudo ótimo para mim em Nova York!

… descanso também é treino…

vanderleiblogNo domingo passado conclui a Meia Maratona de São Bernardo do Campo até que bem, apesar do incômodo da panturrilha que vinha dando sinais há algumas semanas.

Na segunda-feira, no entanto, meu corpo cobrou a conta: senti um grande mal-estar, como nunca havia experimentado antes. Não exatamente por causa dessa prova, mas por uma série de excessos que eu vinha cometendo e nem “percebia” – e também, acredito, por um acúmulo de estresse do dia-a-dia e do trabalho. Na verdade, desde que fiz a Maratona de Porto Alegre, no final de maio, não parei. Se parei, foram dois ou três dias. Achava que diminuindo o ritmo, não forçando tanto nos treinos, tudo bem, estaria me poupando.

Na terça-feira já estava bem, felizmente. Só que ainda um pouco enfraquecida. E com dois medos: o primeiro de que esse mal-estar se repetisse e me impedisse de voltar rapidamente aos treinos; o segundo que eu perdesse o condicionamento se tivesse que parar por alguns dias.

Foi aí que conversando com um amigo, o Marcelo, ele falou: “Você tem que parar, descanso também é treino. Pára mesmo. Não faz nada por uns 15 dias. Durma 12 horas por noite. Faça uma massagem.” Desta vez resolvi “obedecer”.

Essa semana não passei nem perto do parque para não cair em tentação (rsrsrs). E troquei os treinos por duas massagens que não só aliviaram a contratura da minha panturrilha, como me relaxaram geral. Quanto ao estresse do dia-a-dia, esse é difícil diminuir – pelo menos por enquanto.

atleblogE ontem teve um evento da Nike, na USP, para apresentar os nove jovens corredores mais rápidos do futuro. 

Eles foram identificados, nos mais diversos lugares de todo o Brasil, como as principais promessas das pistas e ruas. É uma atitude bacana da Nike apoiar e incentivar esses jovens talentos.

O padrinho dessa turma é o maratonista Vanderlei Cordeiro de Lima, que também estava lá. Tive a oportunidade de conversar com o atleta, que é mais pura simpatia. 

Contei rapidamente minhas experiências em corrida e falei da “crise” da semana passada. Vanderlei repetiu: “Descanso também é treino.”

Se ele, que é medalhista olímpico, acredita nisso, por que nós, pobres mortais, que temos de lidar também com trabalho, família, amigos, não deveríamos acreditar?

Ele ainda me deu uma dica – que honra! – quando se trata de correr uma maratona, que se resume em: “curta as sensações, aproveite a festa que é participar de uma prova como essa, sem a obrigação da performance como têm os atletas profissionais”.

Vanderlei falou que a única prova que consegue relaxar e curtir como um amador (isso ele nunca vai ser) é a da Nike, que este ano acontece em 31 de agosto. “Ver aquele mar de gente, com a mesma cor de camiseta, é muito bonito. Eu curto mesmo e nessa não estou preocupado com o cronômetro. No ano passado completei em 55 minutos.”

… completei minha quinta Meia Maratona…

sbcHoje, na cidade de São Bernardo do Campo, aqui ao lado de São Paulo, completei minha quinta Meia Maratona. Já fiz três no Rio de Janeiro, uma em São Paulo e essa agora.

E é uma delícia. A distância já não me assusta e nem me deixa com tanta expectativa, como nas primeiras vezes. Não é que eu ache fácil, mas sei que é perfeitamente viável cumpri-la.

Desta vez, no entanto, me propus participar da prova como um treino, um longão de final de semana. Teoricamente não estava preocupada com o tempo que iria fazer. Até porque minha panturrilha, que eu desconfio estar com uma contratura, era uma ameaça. 

O dia amanheceu chuvoso e largamos debaixo d’água. Porém nada assustador. A chuva logo ficou fininha e lá pela metade da prova, parou de vez.

Disse que teoricamente não estava preocupada com o relógio, mas é difícil manter essa decisão no meio da corrida. Tem que trabalhar a cabeça, os pensamentos e controlar o corpo. Fiquei me policiando o tempo todo para não acelerar demais e me machucar. E dentro do possível, fui na manha.

Completei os primeiros 10 K em exata 1 hora. Daí, me sentindo bem, em alguns trechos pude puxar o ritmo um pouco mais forte. Isso fez com que a segunda metade da prova fosse mais rápida.

Em vários momentos lembrei das palavras de um amigo que diz que o que importa é desfrutar as sensações. E foi isso que fiz. Alguns trechos me lembraram, inclusive, a Maratona de Porto Alegre. Revivi algumas emoções dessa prova e curti outras que pintaram.

Completei em 2h04m. Comparando com o Rio de Janeiro (1h59m), um mês atrás, o resultado em SBC não foi lá essas coisas. Porém, considerando o incômodo na perna e altimetria da prova, posso dizer que fui bem. Como tem subida o percurso! Que prova dura!

No final, já com medalha e conversando com os amigos, tive meus “momento de celebridade”, rsrsrsrs. Um leitor da Contra Relógio, chamado Ângelo, veio falar comigo sobre a matéria da maratona de Porto Alegre. Disse que gostou do texto e da maneira como eu descrevi a prova, “com a alegria de uma menina de 15 anos”, disse ele. E eu respondi: “é exatamente assim que eu me sinto correndo, com a energia e a alegria de uma menina de 15 anos”.

… faltam 46 dias para minha primeira maratona…

Hoje, acompanhando um dos treinos do evento que estou cobrindo em Salvador, corri 40 minutos pela praia. Isso depois de um dia intenso de atividades, que começaram às 6h30 da manhã, com uma corridinha e exercícios de fortalecimento. Isso aqui até está parecendo treino para o BOPE…

Mas eu não peço pra sair. O que tive de pedir foi uma ajuda ao fisioterapeuta dinamarquês que acompanha o grupo, o Henrik. E como o cara é bom. Depois de me examinar, ver onde estava doendo, ele deu uns dois ou três “trancos” e eu estava novinha em folha. Muito bom!

… faltam 85 dias para minha primeira maratona…

02_Mapa_PercursoA dor entre a coxa e o quadril persiste. Dizem que estou na “fase” das lesões e que devo tomar cuidado.

Então, resolvi acatar, por hoje, esse aviso do meu corpo: dei um perdido no treino, que era de 18k.

Fico com medo de não cumprir o que está na planilha e prejudicar a evolução do treinamento. Mas fico com medo também de algo mais sério, que me tire de verdade da Maratona. O problema é que sou teimosa e não aguento ficar sem um trotinho que seja… Amanhã possivelmente vou arriscar uns passos.

Ontem e hoje ouvi falar muita coisa sobre correr uma maratona e definitivamente acredito que não é para qualquer um.

Na semana que vem, a meta é a Meia Maratona de São Paulo, como treino. Vamos ver como estarei até lá.

… nunca vou parar…

tibiaEstava há exatos 57 dias sem correr. Hoje voltei, de leve, meia horinha, a 145 bpm, pouco mais de 3 km, no Ibirapuera. Para me testar, ver como eu estava. Que meu ortopedista não saiba disso.

Fiz por volta de 8,5 minutos por km. Eu que chegava a fazer 5,5 minutos por km…

Por que estava parada? Por conta de uma lesão por estresse na tíbia direita. Não foi imprudência ou excesso de treino. Acontece com os maiores atletas

O que é uma lesão por estresse
Também é chamada de síndrome de estresse do medial tibial ou simplesmente uma inflamação ao longo do lado interno do osso da tíbia.

Fratura por estresse geralmente causa uma dor contínua e restrita a um ponto. Não corra. Se você tem uma dor ou sensibilidade mais difusa no terço inferior da parte interna da perna, ou ao longo de toda a tíbia, e se o alongamento alivia a dor, é menos provável que seja uma fratura. Caso consiga lidar com a dor, corra sobre superfícies mais macias.

No caso de inflamação na região da tíbia, a dor é sentida estendendo-se os dedos e realizando exercícios de impacto contra o solo. Dói se você pressionar a área com o dedo. Fisiologicamente, isso é uma inflamação nos tendões ou músculos da área. A dor piora gradualmente durante a corrida, porém, em alguns casos, melhora quando o corpo está bem aquecido mas retorna ao final do exercício. Em outros casos, a dor melhora assim que a corrida termina.

Causas
* Correr jogando o peso muito pra frente
* Pisar no solo com o primeiro terço do pé
* Passadas muito largas
* Super-pronação
* Calçado muito apertado ao redor dos dedos
* Tênis de corrida pouco flexível
* Arco de pé fraco também pode contribuir
* Panturrilha rígida estressando as estruturas da tíbia, a qual faz tensão e puxa os músculos da tíbia
* Corredores iniciantes são mais propensos
* Supertreinamento é marca registrada, especialmente: aumentando o volume de treinamento muito rapidamente; correndo sobre superfícies duras; muito treino de velocidade, muito prematuramente, sobre superfícies duras.

A lição da lesão
Bom, tive de parar, fiquei mal, senti falta do exercício, da endorfina, pensei na condição física que tinha conquistado e que iria perder… Mas muita coisa mudou na minha vida por conta disso. E eu vou começar de novo, lentamente. Na corrida e na vida.