Viajar de bicicleta pelo Brasil: sim, é possível!

Foto Guto Gonçalves Estúdio13

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Quando estava buscando inspiração para escrever o post aqui do blog sobre nossa cicloviagem, lembrei-me da música A Bicicleta, de Toquinho. E ela nunca fez tanto sentido. “Sou eu que te levo pelos parques a correr. Te ajudo a crescer e em duas rodas deslizar. Em cima de mim o mundo fica a sua mercê. Você roda em cima e o mundo embaixo de você. Corpo ao vento, pensamento solto pelo ar. Pra isso acontecer basta você me pedalar…” Foi mais ou menos assim que tudo aconteceu: os três dias na estrada foram um misto de alegria infantil, gosto da mais pura liberdade e sensação de que a gente pode tudo o que quiser com nosso esforço. No final, a constatação é a de que é muito possível viajar de bicicleta e que essa experiência é mágica.

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Tudo começou com uma ideia da Claudia Franco, administradora de empresas e criadora da Ciclofemini Escola de Bicicleta, de São Paulo. Em agosto, ela me chamou para fazer parte do projeto Dolce Evo Trip, com a intenção de testar a bicicleta Dolce Comp Evo, da Specialized, e mostrar que todo mundo pode fazer uma viagem de bike. Além de mim, convidou outras quatro amigas de diferentes idades e níveis de condicionamento. Tínhamos de ter algum preparo físico, mas era fundamental também ter determinação, coragem e zero frescura. Afinal, iríamos nos aventurar pela estrada, enfrentando diversos terrenos, com o mínimo de bagagem possível.

Na manhã da partida, uma tempestade me deixou mega preocupada. “Em uma cicloviagem, devemos estar preparadas para tudo”, mandou a Claudia por WhatsApp. E eu só pensando em como iria pedalar uma bicicleta nova e com a qual não tinha intimidade – todo meu treino foi feito na minha velha e boa MTB – e ainda debaixo de chuva…Viagem de bike - Foto Guto Gonçalves Estúdio13

A partida foi adiada por uma hora e felizmente a chuva diminuiu. Mas não meu pânico com a bicicleta nova, rsrsrs. O começo foi um pouco tenso, até eu me habituar às trocas de marchas. E não clipei até ter total segurança.

Nosso ponto de partida foi o vão livre do Masp. O destino, a região do Alto Tietê, no Vale do Paraíba (SP), mais precisamente as cidades de Mogi das Cruzes e Guararema, locais de surpreendentes histórias e belezas. Foi a Claudia quem definiu o roteiro e fez um cuidadoso mapeamento de estradas e trilhas para pedalar por ali.

DIA 1
Da Avenida Paulista, apenas com nossas bikes e dois pequenos alforjes (para levar roupas, nécessaire e ferramentas), pedalamos até a Estação da Luz, onde pegamos um trem – super ok – para Mogi das Cruzes, ocupando o último vagão, onde é permitido entrar com bicicletas. 

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Viagem de bike - Foto Guto Gonçalves Estúdio13Já em Mogi, passamos rapidamente pelo centro e seguimos rumo a Guararema – encarando asfalto, estrada de terra e uma senhora serra pelo caminho. Embora tivéssemos roteiro e cronograma estabelecidos para completarmos as etapas da viagem em segurança, fazíamos tudo com tranquilidade, desfrutando a paisagem e as boas sensações. Assim, após um trecho puxado na Estrada da Lagoa Nova, pudemos parar no Bar e Pesqueiro da Dona Cida, a Rainha do Torresmo, para prosear um pouco e tomar um refrigerante. É esse o espírito de uma cicloviagem!

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A chegada à Guararema foi mágica. Antes de irmos para o hotel, onde passaríamos a noite, estivemos na estação de trem, ponto turístico da cidade, que de tão bonito parece até cenário de novela. Fechamos o primeiro dia com cerca de 60 quilômetros pedalados.

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DIA 2
O segundo dia começou com visitas a outros locais lindos da região, como Parque da Ilha Grande (uma ilha do Rio Paraíba do Sul, localizada no centro da cidade); Recanto do Américo ou Pau D´Alho (considerado o cartão postal da cidade, com vista para o Rio Paraíba do Sul); Igreja de Nossa Senhora da Escada (ou Igreja de São Longuinho, com sua arquitetura tipicamente barroca, tombada pelo Patrimônio Histórico Nacional, é a única que possui a imagem do santo popularmente conhecido por ajudar a encontrar objetos perdidos) e o incrível Parque da Pedra Montada (espaço construído ao redor de uma bela sobreposição de pedras, cada uma medindo cerca de 9 metros de comprimento por 2,5 m de altura).

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parque da pedra montada

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De um ponto a outro, íamos por estradas ora planas, ora íngremes, fazendo força com as pernas na subida e sentindo a maravilhosa sensação de vento na cara na descida. À tarde, partimos rumo ao distrito de Luís Carlos, onde encontramos o grupo Família de Ciclistas, que aos sábados organiza um pedal feminino – fomos as convidadas especiais naquele dia.

Luiz Carlos Guararema

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Antes do passeio, pudemos tomar um café com bolo caseiro, conversar e dar risadas como amigas que somos e curtir a cidadezinha que é linda, linda, linda… E logo depois estávamos novamente montadas nas bikes, nos sentindo fortes e dispostas a conquistar o mundo. A pedalada, em uma estrada de terra, foi desafiante e deliciosa.

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No final do dia, na volta para o hotel, já no asfalto, experimentei uma das sensações mais incríveis de toda minha vida: uma descida radical – acho que atingimos fácil 50 km/h na bike. Sabe aquele sentimento mágico, puro, pleno, de criança feliz com as amigas? Foi como estar em outra dimensão de felicidade e prazer. Concluímos os 60 quilômetros daquele dia com um brilho especial nos olhos…

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DIA3
Fechamos a viagem no dia seguinte, com mais uma boa pedalada pelas estradas da região – e outra vez aquela bela serra pelo caminho.

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E em uma nova visitinha à cidade de Mogi das Cruzes, plantamos uma árvore no Parque Centenário. Foi uma ação que Claudia planejou e que teve um significado muito especial. “Em uma cicloviagem, você leva muito dos lugares que visita: cultura, imagens, lembranças, amizades… Mas acho legal também deixar um pouco de nós por onde pedalamos. Por isso, resolvemos plantar um ipê amarelo como símbolo da nossa passagem e da nossa consciência ecológica”. Naquela manhã, ao total, rodamos mais uns 40 quilômetros e nos dirigimos novamente à estação de trem, para voltarmos para casa. O corpo estava cansado, mas a alma estava leve e feliz.

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AS CICLISTAS

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Claudia Franco, 54 anos, criadora da Ciclofemini Escola de Bicicleta: administradora e analista de sistemas, ela trilhou uma carreira de sucesso no ramo da informática e montou a própria consultoria, mas trocou sua trajetória consolidada de 32 anos entre grandes empresas para ganhar a vida sobre duas rodas. Tudo começou há cinco anos, às vésperas de seus 49 anos, quando um amigo a convidou para participar de uma competição de mountain biking na Patagônia. “Como sempre curti um desafio, aceitei o convite. O único ‘detalhe’ era que eu não sabia nem subir na bicicleta”. Com uma bike emprestada, ela deu início a seu autoaprendizado e criou um blog para dividir suas experiências e conquistas – trabalho que resultou na criação e na consolidação da Ciclofemini Escola de Bicicleta, em São Paulo. Atualmente Claudia se dedica a ensinar pessoas a descobrirem um mundo novo com a bicicleta.

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Ana Paula Urzedo, 44 anos, médica dermatologista: ela sempre gostou de pedalar, como lazer. Há alguns anos, observando pessoas treinando na estrada, passou a alimentar o sonho de ter uma bicicleta de performance e a levar mais a sério a atividade. “Há três anos, finalmente comprei uma speed. Minhas amigas da academia se animaram também, mas treinávamos juntas esporadicamente. Na maior parte das vezes ia pedalar sozinha. E numa dessas conheci a Claudia, que me convidou para participar do pelotão de mulheres. Fiquei super feliz: agora tenho companhia para treinar e viajar”, diz.

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Marina Richwin, 27 anos, analista de marketing: desde pequena, ela experimentou todos os esportes. “Ia para o clube e a cada semana me inscrevia em um tipo de aula: pratiquei de basquete e ginástica olímpica a futebol e judô. Mas com 17 anos me encontrei na corrida de aventura. Comecei a treinar sério e nunca mais parei. Atualmente corro e pedalo quase todos os dias e remo de vez em quando.” A bicicleta, em especial, é muito mais que um esporte para Marina. “É meu meio de transporte diário, me traz liberdade e um enorme sentimento de independência e bem-estar.”

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Marjorie Vieira Batista, 39 anos, médica infectologista: apaixonada por esportes, em especial os que têm contato com a natureza, ela sempre usou a bike como meio de transporte. “Mas eu queria mais: sempre assistia as competições de road bike e ficava impressionada com os pelotões”. Somente em julho desse ano decidiu comprar sua bicicleta. O primeiro passo foi procurar uma assessoria para praticar o esporte com segurança. Logo estava fazendo aulas de sapatilha e pilotagem e participando de treinos, três vezes por semana. “Essas experiências ficam para sempre nas nossas vidas, são desafiadoras, nos tiram da zona de conforto e nos libertam.”

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Noemi Mazzaro, 32 anos, trade marketing: ficar parada nunca foi com ela. “Amo praticar esporte e não importa o dia ou o horário. Sempre gostei muito de academia e não faltava às aulas de musculação por nada. E depois que conheci o ciclismo, me apaixonei. A bike me mostrou um mundo diferente, trouxe novos amigos e a vontade de buscar a superação de meus limites”.

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E eu, Yara Achôa, 49 anos, jornalista: comecei a correr há 10 anos e o esporte mudou minha vida. Foi um divisor de águas: emagreci, melhorei a autoestima, descobri uma força que eu nem sabia que tinha, além de transformar minha trajetória profissional. Há cinco anos, passei a usar a bicicleta como meio de transporte, fazendo pequenos deslocamentos pela cidade. Quando a Claudia me chamou para essa cicloviagem, minha reação foi perguntar: ‘sério, você está mesmo me convidando?’ Eu tenho fôlego e bagagem de corredora, mas sei que bicicleta é diferente. Então, desde o final de agosto, além dos treinos de corrida e academia, passei a pedalar mais forte na ciclovia, aumentando a quilometragem e a velocidade. Posso dizer que fui dos 8 aos 80 quilômetros em pouco tempo e encontrei na bike uma nova paixão!

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