Fiz a deliciosa 10 Milhas Garoto!

LR15GRT5864Se tem uma prova que vale a pena colocar na lista de provas para correr antes de morrer (inventei isso agora) ela é a 10 Milhas Garoto, no Espírito Santo. São 10 milhas (ou 16K) de muita emoção. A largada acontece na Praia de Camburi, em Vitória, e a chegada é em Vila Velha, estrategicamente na frente da fábrica de chocolates Garoto – criadora da prova há 26 anos.

Foi a segunda vez que corri – e recomendo. A primeira aconteceu em 2010 e tive a sorte de pegar um dia fresquinho . Desta vez, no entanto, o sol apareceu cedo e temi realmente pelo calor quando vi até quenianos passando protetor solar!

Com 10 mil participantes, bem organizados em baias de acordo com o ritmo, a largada aconteceu pontualmente às oito da manhã. Minha intenção era completar em cerca de 1h36m – ou seja, fazer 6 minutos por quilômetro. Mas como perdi meu relógio há alguns dias, teria de encarar a prova às cegas, confiando apenas em minha percepção de esforço. Levei o celular, para registrar minha performance com o aplicativo Strava (que eu adoro), mas guardei-o no cinto, sem ter como acompanhar o ritmo quilômetro a quilômetro. E foi uma experiência interessante.

Senti que seria uma boa prova – ou pelo menos uma prova feliz – quando, perto de cruzar a linha de largada e começar efetivamente a correr, tocou a “minha música” – Viva La Vida, do Coldplay (música que tocou quando entrei na 1a avenida, na Maratona de NY, e desde então interpreto como sinal de sorte quando a escuto sem estar esperando). Para completar, uma amiga de Vitória, a Ana, estava por ali e conseguiu fazer uma foto minha bacana!

largada

Larguei em um ritmo que considerei confortável, não muito forte, nem muito fraco. Com os primeiros passos e o sol se firmando, a temperatura logo subiu. Sabia que teria de administrar o ritmo porque havia a subida da Terceira Ponte (com 3,33 quilômetros de extensão, ela tem o vão central de 70 m de altura – o segundo maior do Brasil – e 260 m de um pilar ao outro) e o calor só aumentava. Ao primeiro posto de água, no quilômetro 3, agarrei uma garrafinha, bebi alguns goles e o resto joguei na cabeça – pronto, já havia destruído meu visual, kkkkk.

Não tinha ideia de quanto estava fazendo por quilômetro e a tentação era grande de perguntar as horas para alguém, para pelo menos ter uma noção de como eu estava indo.

De longe, comecei a ouvir um grupo de soldados, correndo e cantando, ditando o ritmo da corrida com a cantoria. Aos poucos, fui me aproximando. E quando cheguei ao quilômetro 5, onde tem início a subida da ponte, estava colado a eles. Foi o que me salvou, porque a essa altura, o sol castigava sem dó… Peguei “carona” e fui subindo, com a sensação de uns 40 graus no lombo. Acho que foi a prova mais quente que já fiz na vida e deu um medinho de passar mal, de não ter forças para terminar… Só olhava para o ponto mais alto da ponte e rezava para que chegasse logo.

O visual da ponta é incrível, com a imagem do Convento da Penha à direita e o Morro do Moreno à esquerda. Ali muita gente para para tirar fotos. Eu fiquei bem tentada a pegar meu celular e registrar o momento, ainda mais com a cantoria dos soldados. Mas resisti porque não queria perder tempo.

Já quase no alto da ponte, ouço alguém me chamar pelas costas. Mas tudo o que consegui foi virar o pescoço (a impressão é que o movimento aconteceu em câmera lenta, kkk) e dar um rápido aceno. Como sou míope e estava embalada, não pude identificar quem era. Depois, pelo Facebook, a Drica Peixoto me chamou e disse que tinha sido ela! 

Como tudo que sobe, desce, logo em seguida veio um “respiro”.  Deu para soltar um pouco as pernas e recuperar a velocidade na descidinha. Ao final da ponte, metade da prova tinha passado. Era uma questão de administrar e chegar.  Mais ou menos nesse ponto, ouvi um corredor dizer ao outro que haviam se passado 50 minutos desde a largada – pelos meus cálculos, então, estava indo dentro do previsto – cerca de 6 minutos por quilômetro.

10 milhas Garoto_2015

Já em Vila Velha, a torcida era grande. Isso que eu acho uma das coisas mais legais dessa prova: as pessoas vão às ruas para incentivar os corredores. A animação é tanta que me lembrou muito a Maratona de Berlin.

Passei pela placa do quilômetro 10 e logo adiante pegamos uma avenida à beira mar. Ali, em um dos postos de som instalados pela organização, novamente começou a tocar a “minha música”. Foi de arrepiar. Tive aquela sensação de felicidade plena – algo como atingir o estágio flow (segundo o psicólogo norte-americano Mihaly Csikszentmihalyi, trata-se do estado mental no qual ficamos completamente envolvidos com que estamos fazendo, experimentando sentimentos do mais puro êxtase e de serenidade).

Eu corria com o sorrisão no rosto. Dava vontade de gritar para as pessoas: vocês estão vendo como correr é maravilhoso?

Isso me deu um gás tão grande que fiz o quilômetro 12 em incríveis 5’11” (conferi depois pelo Strava). Claro que logo cai na real e voltei a um ritmo mais ameno, dando início à contagem regressiva de quilômetros. Faltava pouco.

Passamos pelo centro de Vila Velha, com muita gente na rua, e eu continuava correndo feliz. Só no finalzinho voltei a ficar um pouco ansiosa tentando adivinhar meu tempo final.

Pela primeira vez cruzei a linha de chegada sem olhar para o pulso – estava sem relógio, lembra? Cheguei, respirei, agradeci a Deus por mais uma experiência incrível e só depois peguei o celular e parei o aplicativo Strava, que marcou 1h37m41s – o tempo oficial foi 1h37m32s.

Fiquei mega contente porque fiz uma prova tranquila e regular, dentro do que eu havia planejado, guiada apenas pela minha percepção de esforço – acho que a calibragem está boa, não?  

Segui para a área reservada aos convidados da Garoto (aliás, meu muito obrigada à toda equipe da comunicação e do marketing pelo convite e pela recepção em terras capixabas) e me esbaldei nos chocolates – se fosse para queimar o tanto que comi, tinha de ir de Vitória até São Paulo a pé, kkkkk. Sei que terminei eufórica e passei o resto do dia muito feliz, também pelo fato de estar comemorando 10 anos de corrida.

Vai por mim: corrida é tudo! Vale insistir, vale se dedicar, vale se divertir, vale planejar uma prova como a 10 Milhas Garoto

Em tempo: indo à Vitória/Vila Velha visite a fábrica de chocolates Garoto, uma das 10 maiores fábricas de chocolates do mundo – e a maior da América Latina. Você pode agendar o passeio e conhecer como são feitos os deliciosos bombons! Mais informações clique aqui.

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