Meus 10 anos de corrida!

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Foi em um dia qualquer do mês de agosto de 2005 que fiz meu primeiro treino no Parque do Ibirapuera, com a equipe MPR. E é tão bom olhar para trás e ver que se passaram 10 anos e como minha vida mudou nesse tempo…

Lembro que toda essa história de corrida começou dois meses antes, quando fui fazer uma matéria sobre superação de limites e o organizador falou que corria. Lembro de ter visto um brilho diferente nos olhos dele, que falou algumas palavras sobre determinação, persistência, conquistas. Até aquele momento não me imaginava correndo nem 100 metros. Estava com 39 anos e há tempos não me dedicava a uma atividade física, acomodada também em minha vida profissional e pessoal. Embora estivesse acima do peso, não comecei a correr para emagrecer. Lembro que o que me motivou mesmo foi essa conversa.

Lembro que dias antes do primeiro treino, participei de uma prova de 10K da Track&Field e na reta final eu trotava de cabeça baixa, um tanto envergonhada por meu corpo e por minha performance – afinal, éramos meia dúzia de retardatários e a ambulância fechando a prova… De qualquer forma, foi uma experiência transformadora. Completei os 10K em 1h22m25, fiquei feliz de ter ganho uma medalha e voltei para casa com o corpo todo dolorido e cheio de endorfina.

1Yara_antes PRIMEIRA CORRIDA_2005

Lembro que nos primeiros treinos no Ibira eu usava camiseta comprida escondendo o corpo… Lembro das orientações iniciais do treinador: fazer 30 minutos, sendo 5 minutos de caminhada leve, seguidos de 4 minutos de caminhada mais rápida e 1 minuto de trote, alternados.

Lembro que 30 dias depois que comecei, senti que caminhar-trotar estava fácil, pois o corpo pedia para acelerar. Lembro que nos meses seguintes, comecei a revezar entre trote e corrida, até completar 30 minutos correndo.

Lembro que emagreci, que evolui na performance, que ganhei autoconfiança, que resgatei autoestima, que comecei a participar de várias provas.

2Yara_Achoa_10K São Paulo_2007

Lembro que ao completar um ano de corrida, encontrei um texto da Fernanda Young que falava exatamente o que eu estava descobrindo: “Corro, acima de tudo, porque gosto. Às vezes, chego quase a chorar, tamanha a emoção. A sensação é de que estou deixando o que fui para trás; e meu corpo agradece, renovado. Eu corro porque acho bonito gente correndo, e quero que meus filhos vejam que todos somos capazes de mudar.”

Lembro da alegria que sempre foi participar de uma prova. Lembro quando resolvi aumentar meus desafios e, em setembro de 2006, correr a Meia Maratona Internacional do Rio.

Lembro que ao final desse ano, com pouco mais de um ano de esporte, tive uma fratura por estresse na tíbia e chorei quando o treinador disse que eu não poderia correr a São Silvestre. Lembro que por causa dessa lesão (que me fez ficar quase três meses afastada da corrida) criei o blog, em 15 de janeiro de 2007.

Lembro que participei da primeira edição dos 25K da Corpore (em 22 de julho de 2007, em comemoração aos 25 anos da entidade) e, ao final, senti que seria capaz de completar uma maratona (eu sabia que seriam 17K a mais, porém não me pareceu impossível). Lembro ali nasceu o sonho dos 42K… Lembro que, naquele ano, pude realizar o sonho de correr a São Silvestre.

Lembro que amadureci a ideia de correr os 42K e comecei a treinar para estrear na distância em 2008, aos 42 anos, na Maratona de Porto Alegre. Lembro da alegria sem igual que senti de cruzar a linha de chegada com 4h04m.

3Yara_Maratona de Porto Alegre PRIMEIRA MARATONA 2008

Lembro que logo depois surgiu a oportunidade (por meio do amigo que me falou pela primeira vez de corrida) de correr a Maratona de Nova York. E seis meses depois dos meus primeiros 42K, lá estava eu, me sentindo a Grete Waitz (nove vezes campeã da Maratona de Nova York), pelas ruas da Big Apple, concluindo a prova em 4h21m.

4Yara_Maratona de NY_2008

Lembro que em 2009 a Nike lançou os 600K – o revezamento SP-Rio – convocando corredores rápidos de várias partes do Brasil. Era uma prova para “os fortes”, aqueles que faziam um quilômetro em pelo menos 5 minutos. Lembro que, com esforço, eu corria um quilômetro a 5m30s, mas mesmo assim fui convidada a fazer parte da equipe imprensa pelo meu histórico e engajamento na corrida e pelo fato de, na época, os jornalistas corredores ainda serem poucos. Lembro que, mesmo sendo esforçados, não éramos tão bons assim, portanto seríamos uma equipe “café com leite” – e terminamos a prova em último lugar, claro!

Lembro que dois meses depois, corri a Maratona de Curitiba – um perrengue concluído em 4h57m e uma tendinite de quadríceps –, de mãos dadas com meu filho (então com 8 anos), que me disse: “Pelo menos você não foi a última, ainda tem muita gente chegando. Tem milhões de pessoas correndo aqui… Acho que você completaria em quarto, em terceiro ou segundo se fosse uma Meia. De 10K podia ser a primeira”,  kkkkkk. Doce inocência!

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Lembro que 2010 foi “o” ano da corrida. Voltei à velha e boa forma, resgatei uma força que estava adormecida e fiz provas memoráveis como Volta à Ilha, 42K Bombinhas (em dupla), 10 Milhas Garoto e algumas corridas de montanha.

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Lembro que bati todos os meus recordes pessoais nessa temporada: 50 minutos nos 10K da Track&Field Villa-Lobos; 1h52m na Meia do Rio…

Yara_Meia do Rio 2010

… 3h53m na Maratona de Buenos Aires. Aliás, na capital argentina, vivi um dos momentos mais intensos e felizes da minha vida de corredora. Ter atingido minha meta (uma maratona sub 4 horas), em uma prova em que eu estava focada e corri imensamente feliz, foi uma das experiências mais incríveis da vida!

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Lembro que fui convocada de novo para a segunda edição dos 600K da Nike. Lembro que me foi dado como “prêmio” o trecho de subida mais casca grossa da corrida.

Lembro que após essas conquistas de 2010, desejei arrumar um namorado bacana – e poucas semanas depois da Maratona de Buenos Aires, conheci o Guto – então, cuidado com o que você deseja, porque você pode conseguir 😉

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Lembro que ainda fiz a Volta da Pampulha e fechei o ano correndo a São Silvestre, feliz!

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Lembro que 2011 começou com a Volta ao Cristo, em Poços de Caldas, em companhia do Guto – e depois fizemos a Corrida de Montanha de Paranapiacaba.

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Lembro que teve a quente e emocionante Corrida da Ponte e logo depois a Volta à Ilha, novamente em uma equipe de amigos jornalistas, com direito à subida do Morro Maldito!

Lembro que participei da encantadora Meia Maratona de Londres, também com o Guto.

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E lembro que logo depois fiz parte pela terceira vez do time da imprensa nos 600K da Nike, ao lado dos veteranos Harry Thomas e Iúri Totti.

imprensa

Lembro que 2012, em função de uma reestruturação profissional, não foi um bom ano de corrida. Apenas treinei e participei de algumas provas…

Lembro que em 2013, depois de dois anos sem correr 42K, foquei na Maratona do Rio de Janeiro. Lembro que desejei fazer um bom tempo, mas só consegui completar em 4h44 – mesmo assim, com um sorriso no rosto.

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Lembro que pouco depois recebi o convite para encarar a Mizuno Uphill Marathon, a primeira maratona de subida do Brasil. Lembro que tremi nas bases, me preparei como pude e, em novembro de 2013, corri morro acima, terminando aos prantos e abraçada ao amigo Iúri, em 5h37m.

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Lembro que em 2014, com a vida mais organizada, resolvi encarar a musculação com seriedade e comecei a ficar forte. Enxuguei excessos e defini meu corpo. Lembro que fiz boas provas, como a Meia de São Paulo e a sempre linda Meia do Rio, mas foquei na Maratona de Berlin – graças a um convite da Adidas.

Lembro que fui feliz do primeiro ao último passo em Berlin, completando os 42K em 4h04m – uma das provas incríveis da vida.

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Lembro que no final de 2014 vivi a experiência de um treininho congelante em Seul, na Coréia, em um evento organizado pela Nike…

Lembro que 2015 começou um tanto atrapalhado, me tirando de novo o foco do esporte. Mas lembro que, mesmo assim, corri a Meia Maratona de Lisboa em março e outras boas meias, como a Mizuno Half Marathon e Golden Four Asics, usando como motivação o #projetomeialoka, que eu e minha amiga Fernanda criamos com a intenção de melhorar nossa performance. Lembro que fiz novamente a gostosa 10 Milhas Garoto, curtindo o prazer de correr e agradecendo por esses 10 anos de corrida.

Lembro que fiz bons amigos, que me emocionei, que sorri, que chorei, que afoguei as mágoas, que senti dores, que senti prazer, que tive preguiça, que por vezes me arrastei, que corri forte, que corri fraco, que fui (e ainda sou) muito feliz correndo.

Lembro a todo momento que corridas acabam, correr não.

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2 respostas em “Meus 10 anos de corrida!

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