Vamos começar do começo…

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Sou formada em comunicação pela FAAP há 26 anos e desde sempre escrevi para revistas – colaborei com as principais publicações femininas e de variedades do país. Há mais de 10 anos resolvi focar em saúde e bem-estar. E numa dessas, em 2005, me apaixonei pela corrida. Estava uns 10 quilos acima do meu peso ideal. Mas não foi isso que me fez ir para a corrida. Foi em uma viagem para cobrir um evento de esportes de aventura para deficientes auditivos, para uma revista de saúde que eu trabalhava, que tudo teve início. Um dos organizadores, que é corredor e virou meu amigo, falava com tanto entusiasmo do esporte, que eu achei que poderia ser legal. Optei pela corrida, inicialmente, pelo brilho nos olhos que vi nesse amigo. Juro que nem pensava em emagrecer ou melhorar a qualidade de vida quando comecei…

Esse amigo sugeriu que eu fizesse um check-up para saber das minhas condições de saúde e procurasse o treinador Marcos Paulo Reis, que tem uma assessoria esportiva em São Paulo, a MPR. E assim fiz. Entre a decisão de correr, a consulta ao médico, os resultados dos exames e a minha avaliação com o professor, lá se foram dois meses. Tempo suficiente para eu desistir. Mas fui em frente. Nessa época se alguém dissesse que um dia eu iria correr uma maratona, acharia uma loucura…

Só sei que nesses 10 anos de corrida foram dezenas de provas de 10K, mais de 20 meias maratonas, sete maratonas (Porto Alegre, Nova York, Curitiba, Buenos Aires, Rio de Janeiro, Mizuno Up Hill Marathon na Serra do Rio do Rastro, Berlin), três SP>Rio, duas Volta à Ilha e diversas corridas de montanha.

Antes e depois da corrida

A corrida foi um divisor de águas na minha vida. Passei por uma série de mudanças, além do lado físico. Em 2006, nove meses depois que comecei a correr, me separei. Não foi a corrida que me fez separar. Mas o esporte ajudou a resgatar uma Yara que estava adormecida, que gosta de um desafio, que quer melhorar sempre. Fora que com a perda de peso a gente fica mais bonita, a autoestima melhora e a energia aumenta. 

E aconteceu a mesma coisa profissionalmente, em 2007. Desde que eu havia me formado, tinha um trabalho fixo – ia para uma redação, seguia uma rotina com horários e tudo mais. Mas chegou uma hora que não tinha mais o que evoluir. Estava sem desafios. E não sei empurrar com a barriga. Então, virei freela. O frio na barriga de ter que arrumar trabalhos a cada mês me encheu de gás. Como na corrida, era sempre um desafio a superar. De lá para cá alternei períodos como freelancer com passagens por redações – como em 2011 no canal de saúde e bem-estar do Portal iG e em 2014 como editora de fitness da revista Boa Forma, o que só ampliou minhas experiências e minhas vivências no universo saudável. 

Claro que em palavras tudo parece fácil: “começou a correr, emagreceu, experimentou novas formas de trabalho…” Mas a vida da gente não é conto de fadas – e eu nunca contei com o príncipe encantado. Tenho dois filhos – na época que me separei, em 2006, o pequeno tinha 4 anos e a menina era adolescente – e sempre batalhei muito pelo sustento deles. Uma vida de freelancer, apesar da liberdade e das mil e uma vantagens, também tem pontos críticos e muitos altos e baixos. Então, conciliar esporte, vida de mãe, lado profissional e tantas outras coisas nunca foi fácil para mim. Mas tenho seguido em frente (graças a Deus e a meu esforço diário). Isso é real e possível!

Acho que as fotos que ilustram esse post mostram bem minha transformação: à esquerda, em minha primeira prova, gordinha e envergonhada, e à direita, na minha mais recente maratona, Berlin 2014, mais magra e confiante. 

A origem do blog

O blog “eu corro porque…” nasceu em 15 de janeiro de 2007. Foi na época em que tive uma fratura por estresse e precisei parar de correr por três meses. Não podendo correr, resolvi escrever sobre minhas experiências na corrida. E depois de ficar um pouco aqui, outro pouco ali, agora está reorganizado nesse novo espaço. Reuni os principais posts dos últimos anos (na verdade ainda estou resgatando, porque tem muuuita coisa) e volto agora a publicar com regularidade. 

E agora?!?

Bom, desde fevereiro de 2015 voltei a ser jornalista freelancer. Para meu sustento e dos meus filhos continuo tendo de ralar muito atrás de trabalhos . Amo o que faço e a área em que atuo. Só que tenho zero de rotina. Cada dia tem um ritmo diferente, exigências diferentes. Produzo conteúdo para alguns veículos (como as revistas Contra Relógio, Women’s Health, Men’s Health, GQ, Glamour), cuido do blog e também tenho uma parceria com o Guto Gonçalves, que é fotógrafo. Juntos, desenvolvemos projetos especiais voltados ao esporte no Estúdio13. E (lembra?) ainda sou mãe da Fernanda, de 26 anos, do Antônio, de 14, e da vira-lata Luna, de 10 anos, além de ser filha da dona Suad 😉

É uma vida legal, mas continua não sendo fácil. E para encaixar a corrida, a musculação e as aulas de fitness (que eu amo experimentar) no meio disso tudo, tenho que me esforçar. Mas reafirmo: é real e possível!

Por mais “lugar comum” que seja dizer isso, o esporte sempre me faz ir um pouco além em tudo (especialmente a corrida e essas super mega power aulas desafiantes que às vezes me meto a fazer). É minha motivação, minha terapia, minha vida.

Aqui e em todo lugar, escrevo, corro e malho com paixão. Vem comigo?

Yara Achôa
jornalista, blogger, corredora, malhadora, mãe, mulher…

Ah, também estou nesses canais:
facebook | facebook páginatwitter | instagram | estúdio13

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3 respostas em “Vamos começar do começo…

  1. Iara, nova fase da vida hein? E lembrar o passado, ou melhor, começar do começo é altamente motivador. Não so pra quem precisa ( e pretende) emagrecer, para se ver que tudo tem um começo, que demora, que exige esforço, foco, mas que o dia chega!

  2. Sempre bom conhecer histórias de pessoas que conhecemos e acompanhamos, mesmo que de longe! E tão bom reafirmarmos que as nossas dificuldades são as mesmas “humanas” de todos…. Felicidades! E sucesso! Continue a partilhar suas experiências!

  3. Creio que vc ilustrou a historia de um ser fantástico, pelo qual sou fã desde quando comecei a correr em 2006, e um pouco antes de lhe conhecer tive a honra de conhecer o saudoso Samir Achoa claro que por apenas breve minutos.
    E esse seu belíssimo texto de forma simples e clara mostra que quem faz o tempo somos nos e não as situações.

    Sucesso Sempre Yara Achôa!

p o d e_f a l a r

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