Sobre corrida e um salto para o desconhecido

DCIM152GOPRORecebi o convite da Puma para fazer parte da Secret Running Society – uma ação da marca que idealizou uma “sociedade secreta” de corredores com atividades e produtos diferenciados. Para isso, teria de participar de um “treino secreto”, em um “local secreto”, com uma surpresa no final. Aceitei e nem fiquei pensando no que poderia ser. Vem ver o que rolou…

Na primeira edição da Secret Running Society, em novembro de 2014, os participantes passearam de helicóptero e fizeram um treino de 10K em um lugar lindo, com direito a mordomias em um SPA no final.

No domingo, dia 26 de abril, foi minha vez… Às 5 da manhã lá estava eu no ponto de encontro marcado, no bairro de Pinheiros. Sabia que sairíamos de lá, mas não sabia para onde. Na minha cabeça, era ir para um lugar bacana e correr. Simples assim. Eu e cerca de outros 30 corredores recebemos poucas instruções sobre o treino, dadas pelo Rafael Gallego (gerente de marketing da Puma), nos instalamos no micro-ônibus e partimos. Como estava com sono, acabei adormecendo – acho que dormi uns bons 50 minutos. Acordei, conversei, comi um lanchinho e nada de chegar… De repente na estrada vi a placa “Boituva” – conhecida como a capital nacional do paraquedismo. Brinquei com o treinador Nelson Evêncio, perguntei se nosso treino tinha alguma coisa a ver com paraquedas, e ele deu uma risadinha (sim, ele já sabia dos planos). Mas, distraída que sou, logo estava pensando em outra coisa e nem me preocupei.

Paramos em um determinado ponto da estrada e descemos do micro-ônibus para iniciar nossa corrida. Cada um iria em seu ritmo, seguindo as indicações no percurso. Mesmo dando check-in no Centro Nacional de Paraquedismo em uma foto que postei no Instagram, a ficha não caiu.

Fui conversando no trecho inicial, mas depois me distanciei e segui sozinha, gravando uns videozinhos pelo caminho. Quando já tinha passado uns 5K, olhei para o céu e vi um pessoal saltando de paraquedas. Ainda assim, não imaginei que a surpresa pudesse ser saltar de paraquedas – nesse dia acho que os neurônios não estavam funcionando bem por causa do sono ou, como forma de defesa, se recusavam a imaginar o salto, kkkk.

Bom, a corrida terminou justamente na porta do Centro Nacional de Paraquedismo. E logo veio a explicação. Como o Gallego tinha falado antes de sairmos, o treino teria 10K. Até a porta do Centro havíamos corrido 6K – os outros 4K seriam do céu até o chão!

Frenesi geral. Quem tem coragem? Quem não tem? Eu não sabia se tinha coragem, mas sabia que uma oportunidade dessas não aparece todo dia. Veio o frio na barriga, o medo, a expectativa, a vontade de desistir (mesmo sabendo que eu não ia desistir)… Eu me imaginava na porta do avião, me jogando para o desconhecido. Dizia a mim mesma que era loucura. Depois espantava os pensamentos. Era melhor não pensar.

Não era bem medo o que eu sentia. Era um frio na barriga, uma sensação estranha. Era o anjinho dizendo que não tinha perigo, que seria maravilhoso, debatendo com o diabinho, que soprava coisas tenebrosas para botar medo. Era a cabeça contra o coração, a razão contra a emoção.  

E quando a gente coloca o macacão de paraquedista, hein? Você já se sente o tal! Depois, uma boa conversa com o instrutor Rafael e as orientações sobre o que fazer na hora do salto vão dando mais segurança.

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Daí você dá risada e descontraí com seus amigos, parecendo super calma.

Daí você entra no avião.

Daí o avião sobe.

Daí você lembra quando você viaja e vê pela janelinha do avião a cidade lá embaixo.

Daí você pensa que em minutos você estará fora do avião, vendo a cidade lá embaixo.

Daí dá um certo pânico e você tenta se convencer de que é um sonho.

Daí você começa a ver seus amigos saltando e vê que não é sonho.

Daí você repassa mentalmente todas as orientações do instrutor, com medo de fazer alguma bobagem.

Daí você dá uma travadinha (e diz baixinho: “não quero mais”).

Daí você não tem mais escolha, o instrutor já está na porta do avião, te conduzindo.

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Daí você está caindo em queda livre.
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DCIM152GOPRO São 50 segundos de queda livre, com muito vento na cara e coração na boca. É muito rápido, mas ao mesmo tempo dura uma eternidade. O mundo gira – ou é você quem gira pelo céu. Parece que falta o ar e que o coração vai parar. A voz não sai. É como nos sonhos (já sonhei algumas vezes que eu era capaz de voar) – só que é real. É louco. É incrível.

Daí você sente um tranco, o paraquedas abre e você começa a relaxar – mesmo o instrutor falando que demorou um pouquinho para abrir porque as cordas se enroscaram. “Mas já está tudo certo, fica tranquila. Além do mais, é para isso que serve o paraquedas de emergência.” Espero que ele tenha falado isso apenas para dar mais emoção, kkkkk.

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Daí você fica mais uns quatro ou cinco minutinhos descendo, flutuando, em estado de êxtase, contemplando a paisagem, se achando uma pessoa de muita coragem e sorte, desejando que o tempo pare. Só de lembrar a cena e as sensações vem um sorriso nos lábios e um brilho no olhar.

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Daí você pousa, o instrutor te solta, você agradece a ele (fala obrigada umas mil vezes) e fica rindo feita uma alucinada. Seus amigos estão ali por perto também, cada um achando que seu salto foi o mais especial. E foi. Porque só cada um sabe o que vivenciou e o quanto foi intenso e transformador aquele salto.

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Nunca imaginei que fosse sair de casa naquele domingo para saltar de paraquedas. Não me preparei para ter coragem. Tive de decidir na hora: sim ou claro que sim? Mas às vezes é bom não ter que ficar pensando muito em uma situação – e simplesmente se jogar.

Foi uma experiência incrível que proporcionou risadas, que representou desafio, que me fez enfrentar o medo do desconhecido e me fez perceber que tenho mais coragem do que imagino. Acho que às vezes o mais difícil mesmo é chegar até a porta do avião… 

Confira no vídeo o momento do salto… Se joga!

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Uma resposta em “Sobre corrida e um salto para o desconhecido

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