… a Meia Maratona do Rio 2014…

yara rio1No ano passado eu corri a Maratona do Rio. Esse ano, optei pela distância da Meia. Aliás, a Meia do Rio é uma das minhas favoritas – acho que já fiz umas quatro vezes. Mas cada prova é uma prova e um ano nunca é igual ao outro. Desta vez, por exemplo, encontramos um Rio de Janeiro cinzento, nublado e até frio – típico clima paulistano roubando um pouco da beleza da Cidade Maravilhosa. Em compensação, perfeito para correr.

Minha estratégia, traçada em conjunto com meu treinador, era correr em ritmo firme, com o objetivo de baixar o tempo da última meia maratona que eu havia feito (em fevereiro, em São Paulo, em 2h11m). Estava animada! E seria tranquilo, não fosse a forte gripe que quase me derrubou na semana anterior. As pernas estavam ok, a cabeça confiante, mas o pulmão…

Com a largada (na Praia do Pepê, Barra da Tijuca) e a adrenalina a mil, o peito passou a “apitar” mostrando resquícios da gripe. Ao mesmo tempo, com o clima super úmido, comecei a transpirar como nunca – o que achei estranho e me preocupou um pouco. Mas eu fui administrando a situação e pararia caso não me sentisse bem.

Com tudo isso, embora estivesse mantendo um ritmo regular, até o quilômetro 3 ainda não havia me encontrado na prova. Precisava me sentir confortável – e queria que isso acontecesse logo.

Estava focada no meu corpo, atenta a seus sinais. De vez em quando fazia um “check-up” mentalmente. Onde dói? O peito? Bom, vamos concentrar energia no peito para que o desconforto vá embora… Onde dói? O tendão? Um pouco de luz para essa região…

E lá ia eu tentando melhorar energeticamente. Lá pelo quilômetro 4, depois de passar um posto de hidratação, um casal que também estava correndo me ofereceu um saquinho de isotônico.

(o rapaz) – Moça, quer Gatorade? Ainda está fechado.

(eu) – Não, obrigada!

(a moça) – Ei, eu te conheço, do Facebook.

Abri um sorriso, meio sem jeito…

(a moça falando para o rapaz) – Ela é a jornalista que corre, que fez a UpHill, a maratona de subida pela Serra do Rio do Rastro (SC)

Meia

Concentrada

Na hora, meu pensamento foi: “caramba, não posso fazer feio, preciso apertar o passo…” E arrumei minha postura e tratei de melhorar o ritmo. Parece que isso teve um efeito benéfico, porque logo depois passei a me sentir melhor, mantendo um ritmo bem regular por quilômetro.


Como havia placas de quilometragem da maratona pelo caminho (o percurso das duas provas a partir de um determinado ponto é o mesmo), eu lembrei o tempo todo da prova do ano anterior, procurando memórias das dores e das delícias dos 42K no Rio.

A UpHill veio novamente à minha cabeça durante a subidinha da Avenida Niemeyer. Mas quem, como eu, já havia subido a Serra do Rio do Rastro não haveria de se apertar com aquela “rampa”. É claro que o ritmo caiu um pouco, mas encarei o trecho com tranquilidade.

Logo estávamos descendo rumo ao Leblon. Passei pelo quilômetro 10 com 1h01m – tempo era mais alto do que eu queria, mas ainda super dentro da meta de baixar minha última marca na distância. 

A paisagem não estava linda, não havia público na rua, não tinha muito com o que me distrair. E, com uma bolha me incomodando o pé direito, também não conseguia pensar em nada. Só me restava correr, correr, correr…

Lá pelo quilômetro 17, em Copacabana, a bolha começou a incomodar mais, os tendões dos dois calcanhares doíam, o peito voltou a apitar. Sabia que faltava pouco, mas eu já tinha corrido muito… Então, virei para mim mesma e disse: “Pode parar de frescura. É tudo suportável. Para de mimimi e termina logo.” Dali em diante era só manter o ritmo confortável e concluir.

yara e adriana rio

Adriana e eu em 2006 e agora em 2014

Eis que no final do quilômetro 19, em Botafogo, encontrei uma amiga – a Adriana. Vi que ela vinha forte, disse “oi” e desejei bom final de prova. Mas ela respondeu: “vem comigo, preciso de companhia!”

Eu já estava “sossegada”, indo naquele ritmo tranquilo para fechar a prova. Até esbocei uma reação de correr mais forte, mas disse para ela: “vai lá, eu não vou aguentar.” Ela insistiu: “vai sim, vamos juntas”.

Pensei: “caramba, então lá vamos nós fazer força!” Sabe aquela amiga que aparece nos momentos em que sua vida está “morna” e dá uma sacudida, dizendo que você pode e merece mais? Foi tipo isso. E foi tão legal… De repente estávamos as duas quase que apostando corrida uma com a outra, frenéticas, indo cada vez mais rápido. Foram os dois quilômetros mais rápidos da minha prova – baixei 30 segundos do ritmo que eu vinha anteriormente em cada um.

O mais engraçado desse lance com a Adriana é que eu tenho uma foto com ela ao meu lado, de oito anos atrás (quando corri minha primeira prova no Rio), mais ou menos nesse ponto em que a gente se encontrou agora. Só que naquela época a gente não se conhecida… Com o pouco de fôlego que ainda me restava, lembrei dessa história e demos risada. Cruzamos a linha de chegada felizes!

Fechei com o tempo de 2h07m – um minuto a mais do que eu queria, mas dentro da meta estipulada de baixar de 2h11m. E a Adriana também diminuiu o tempo dela.

Agora é continuar treinando para evoluir – até porque a meta principal do ano é correr uma maratona daqui dois meses. Foco, força, fé e um passo na frente do outro!

 

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