… correr é poder…

O texto é do Rodolfo Lucena, mas é tudo o que eu gostaria de ter escrito…

PODER INTERIOR

“Já comentei neste espaço, e você também já deve ter lido, visto e ouvido em muitos outros lugares, sobre os benefícios que o exercício em geral e a corrida em particular trazem para todos nós.

Melhora o sistema cardiorrespiratório, a gente fica mais esperto, mais feliz consigo mesmo, manda embora qualquer traço de depressão, dorme melhor, come melhor, ama melhor.

E há outras benesses, não tão faladas, talvez porque possam parecer meio antipáticas. Mas são muito boas.

Correr dá ao cidadão uma enorme sensação de poder. Você começa a aprender mais sobre seu corpo, a entender ou aceitar melhor suas reações, descobre que é capaz de coisas com as quais nunca sonhava e vai à luta.

Você é dono de seu corpo e pode levá-lo daqui para lá, de lá para cá, seguir pela cidade atrás de seu nariz e ocupar a cena urbana.

A cada cidade que visito, a primeira coisa que faço é sair para dar uma corridinha, sem rumo, sem tempo, sem preocupações. Corredor não se perde: vai e volta quando quer, por onde quer.

Também dá para ir caminhando, a passo firme, mas não é a mesma coisa: você fica mais exposto, mais frágil. Correndo, não: você é o senhor das ruas.

Vou ver a cidade, fazer dela minha amiga. Se vejo uma praça ou um parque, trato de correr por lá, de dar uma, duas voltas. Os cachorros não fazem xixi aqui e acolá para delimitar seus domínios? Pois meu eu corredor estabelece em passadas as minhas fronteiras -que são sempre mais para lá.

E, se você acha que esse poder é um pouco bobo, sem graça, dou-lhe outro, filosófico, metafísico: o da introspecção.

Cada vez que alguém sai para uma corrida, por meia horinha que seja, faz de si uma clausura, conquista um tempo e um espaço que não lhe é possível ter em nenhum outro momento.

Fica a sós com seus pensamentos, examina suas decisões, imagina diálogos, sonha com rostos e corpos, calcula ganhos e danos ou simplesmente refresca a cabeça, entregue a nada.

O que importa é que, naquele momento, não há quem venha dar palpite, pedir opinião, ordenar, exigir, implorar, choramingar. Todos -amores, parentes, colegas- vão ter sua voz em algum outro momento. Agora, porém, o corredor é de ninguém.”

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